O Módulo de Avaliação de Riscos Psicossociais do SIGOWEB: A validação, estrutura e interpretação do Questionário COPSOQ e sua vinculação com o PGR

Postado em 23/08/2025
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Efetuamos um estudo que serviu como fase preparatória para identificar a melhor ferramenta para o Módulo de Avaliação de Riscos Psicossociais do SIGOWEB, o que culminou com a escolha do Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ). A aplicabilidade do COPSOQ no Brasil foi comprovada por diversos artigos científicos, garantindo sua validade para uso no país. As referências no final conduzem, respectivamente, aos artigos sobre os estudos para identificar a melhor ferramenta e à lista de trabalhos científicos que a validam no Brasil.
O passo seguinte foi o desenvolvimento de um software que atendesse às exigências da Norma Regulamentadora 1 (NR-1). O texto da NR-1, em seu § 5.3.1.4, estabelece que: “O gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho”.
A norma apenas exige o gerenciamento desses riscos, sem especificar a forma ou o instrumento para sua condução. Isso permite que as avaliações sejam realizadas com base em ferramentas e critérios definidos por quem as executa.
No Módulo de Avaliação de Riscos Psicossociais do SIGOWEB, a ferramenta escolhida foi o COPSOQ, e os seguintes pontos serviram de base para o desenvolvimento do software.
 

Estrutura e Metodologia do COPSOQ

A estrutura do COPSOQ é composta por domínios, dimensões e questões, que oferecem um diagnóstico detalhado do ambiente de trabalho.
  • Domínios: Representam grandes áreas de avaliação, como Exigências Laborais, Organização e Conteúdo do Trabalho, Relações Sociais e Liderança, Interface Trabalho-Indivíduo, Saúde e Bem-Estar, Valores no Local de Trabalho e Comportamentos Ofensivos.
  • Dimensões: Dentro de cada domínio, as dimensões exploram aspectos específicos. Por exemplo, no domínio de Exigências Laborais, avalia-se a Exigência Quantitativa, Ritmo de Trabalho, Exigências Cognitivas e Exigências Emocionais.

 

Análise e Interpretação dos Resultados

Para cada dimensão, os participantes respondem a perguntas usando uma escala tipo Likert de 5 pontos, que varia de “Nunca/quase nunca” a “Sempre”. A média das respostas é utilizada para a análise por tercis, dividindo os resultados em três faixas de risco, com pontos de corte em 2,33 e 3,66.
Essa análise visual, conhecida como “semáforo”, classifica o nível de risco:
  • Verde: Situação favorável à saúde (sem risco).
  • Amarelo: Situação de risco intermediário (atenção).
  • Vermelho: Risco elevado para a saúde (ação imediata).
 

Integração com o PGR e a NR-1

A aplicação do COPSOQ no Brasil exige que os dados de sua avaliação sejam corretamente interpretados e incluídos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme a NR-1. O PGR deve conter, no mínimo, um Inventário de Riscos e um Plano de Ação. A estrutura do Inventário de Riscos requer mais do que a simples identificação do risco, exigindo que a avaliação psicossocial atenda aos seguintes requisitos:
  • Avaliação dos Riscos: A classificação por tercis do COPSOQ (“verde, amarelo, vermelho”) se alinha perfeitamente a esse requisito.
  • Descrição dos Perigos: É crucial identificar as fontes e as circunstâncias que geram os riscos, como “pressão por metas” ou “jornadas exaustivas”.
  • Indicação dos Possíveis Agravos: Deve-se descrever as doenças ou agravos à saúde que podem surgir, como estresse crônico ou burnout.
  • Descrição das Medidas de Prevenção: Para riscos psicossociais, a ausência de EPCs e EPIs torna as medidas administrativas e de organização do trabalho as principais formas de controle. É essencial detalhar as ações contidas nos planos de ação para mitigar os riscos.
 

Conclusão

O COPSOQ fornece um diagnóstico robusto, mas sua real eficácia no Brasil reside na integração com o PGR. Uma avaliação de riscos psicossociais não se limita a uma pesquisa, mas é a base para um plano de ação estratégico. A primeira etapa é o diagnóstico (com o COPSOQ) para medir e classificar os riscos. A segunda etapa é a gestão (com o PGR), onde os dados são transformados em planos de ação concretos.
Essa abordagem em duas frentes garante que as empresas não apenas identifiquem os problemas, mas também cumpram as exigências legais e, mais importante, criem um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.
 

Referências:

 

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Médico Especialista em Otorrinolaringologia. Mentor Intelectual do software SIGOWEB, aplicação na web destinada à Gestão da SST, eSocial, GRO/PGR, Gestão do FAP e atual Diretor de Inovações.

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